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sexta-feira, 5 de março de 2010

Big Bundas Brasil

E já que o ano só começa mesmo depois do carnaval, vamos a ele: No ano em que o Corinthians completa 100 anos e Brasília 50, duas escolas do grupo especial de São Paulo e do Rio homenagearam ambos em seus desfiles. Enquanto a torcida paulistana gerou confusão na apuração do resultado, os escândalos que sempre cercaram a capital federal foram convenientemente esquecidos no enredo, que ficou por conta de falar da arquitetura, origem e miscigenação de Brasília – não por acaso, o Governo do Distrito Federal patrocinou a escola que o homenageava.
Ah, sim... E por falar nisso, o Governador Arruda foi preso (em uma sela mais que especial, diga-se de passagem). Mas vamos levar em consideração que “nunca antes na história desse País”, como diria nosso Presidente, um político foi tão severamente punido: Preso, sem partido, e agora sem mandato. O engraçado foi que enquanto os comparsas de Arruda foram numerosamente se afastando para não queimarem seus filmes, ainda há quem saia nas ruas em prol de um “volta, Arruda”. Seria difícil entender porque alguns brasilenses parecem insatisfeitos com a saída do Governador, não fosse pelo fato de que, enfim, muitas das obras que antes habitavam apenas nos sonhos de Juscelino só agora estejam sendo realizadas. É o famoso “rouba, mas faz” que manteve e mantém Paulo Maluf até hoje no poder.
Mas enfim, com ou sem Arruda, Madonna ou Beyoncé, o Brasil segue em frente, e todos os assuntos saem de pauta quando finalmente chega o carnaval. Esse, diga-se de passagem, se consagrou como o grande evento comercial que vem se tornando – nunca tantas celebridades, pseudo-artistas e “mulheres frutas” desfilaram na avenida. Enquanto isso, as comunidades e suas verdadeiras raízes vão sendo deixadas de lado. O carnaval deixou de ser uma paixão e se tornou uma fonte de lucro, ostentação e especulações em torno dos resultados. Outra paixão brasileira seguindo o mesmo caminho do futebol...
E falando em esporte, quem andou acompanhando a cobertura dos Jogos Olímpicos de Inverno está testemunhando a pior cobertura de eventos esportivos dos últimos anos. Isso porque, em plena era de Globalização e imediatismo, a Rede Record, que comprou com exclusividade a cobertura dos Jogos, muitas vezes exibe no momento das competições a programação da Igreja ligada à mesma, e depois, quando os resultados já foram divulgados, exibe o evento gravado.
Mas afinal, quem quer saber de olimpíadas de inverno? O Carnaval já acabou, mas ainda é verão. Todos a postos, em frente à televisão assistindo e se deliciando com a degradação do ser humano: O Big Brother Brasil 10 está no ar, com ainda mais siliconadas, saradas, belas e coloridos. Todos querendo a mesma coisa: Um milhão e meio? Que nada! Querem quantos minutos de fama uma top less “acidental” ou um barraco gratuito possam proporcionar. Ok, não sejamos injustos: Esse ano contamos até com uma inovadora tribo dos Cabeças! Diga-se de passagem, que somente no BBB uma celebridade do twitter se encaixa nesse estereótipo.
Reflexo da realidade ou não, a verdade é que no Big Brother todos são hamsters em uma gaiolinha, onde o Homo Sappiens existe em escassez e em condições hostis e desfavoráveis. Quer dizer, parando para pensar agora, essa é uma espécie já extinta do “reality” show, já que as tais cabeças foram eliminadas uma a uma, até que a tribo fosse totalmente dizimada. Mas afinal, é Brasil, e estamos falando de preferência nacional, que definitivamente não parece ser por essa parte do corpo...

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Arruda neles!


2009 foi o ano de rever conceitos. Com uma pandemia em potencial, o álcool em gel e o tamiflu bombaram. No fim era só mais uma marolinha, mas para uma coisa serviu: as pessoas de fato ficaram mais higiênicas – Afinal, que dinheiro na cueca, que nada! O negócio agora é meia, paletó e panetone. Sim, o ano se encerra com chave de ouro: um natal mais feliz para as crianças do Distrito Federal, graças ao bondoso governador Arruda, aquele com nome de erva protetora, que tomou um chá de sumiço depois do escândalo. Deve estar muito ocupado distribuindo os tais panetones. Aliás, o dinheiro da saúde e da educação podem ter sido desviados para destinos inusitados, mas panetone não vai faltar. Afinal, é natal, e um ano agitado como 2009 não poderia acabar simplesmente em pizza.
Ah, nova tendência: o impeachment é a sensação do momento, e voltou com tudo. Para quem estava com saudade do Fora Collor, esse ano relembramos os tempos de caras-pintadas e gritamos Fora Sarney, depois fora Arruda e (por que não?), fora também Mahmoud Ahmadinejad. É, aquele presidente do Irã, “companheiro” de Lula, que nega o Holocausto, hostiliza homossexuais, e veio visitar o Brasil. Mas com um “Fora” abafando o outro, acaba todo mundo ficando por lá mesmo. Nem protesto, e nem mesmo eleições tiram os sanguessugas do poder. É oposição, situação, deputado que compra castelo, relator que se lixa pra opinião pública. Tem para todo mundo e o que parece estar por fora mesmo é a ética e respeito ao dinheiro público.
E falando em nostalgia, quem estava com saudade do Mensalão do PT, relembrou os velhos tempos com o Mensalinho do Dem. Podem até ser farinha de sacos diferentes, mas como diz o Presidente, “Aqui ninguém é freira nem santo”. E o apagão do FHC, lembra? Esse ano matamos a saudade. Não, não estava falando de Itaipu. Muito mais coisas entraram em pane em 2009. O Senado Federal, o STF o Enem e o Dem. Ah, disso eu já falei, não é? Perdoem-me se pareço um pouco repetitiva. É que parando para pensar agora, talvez 2009 não tenha sido um ano tão inovador. Na verdade foi um ano de “dejavous” - um verdadeiro museu de novidades. A não ser pelo fato de pela primeira vez o Prêmio Nobel da Paz ser atribuído ao mesmo homem que enviou, em seguida, tropas para o Afeganistão.
Mas para esquecer um pouco de todos esses paradoxos, com todo o verão, chegam as chuvas, que trazem prejuízo e mortes por onde passam. Aí a culpa já é de São Pedro, e não de governantes que durante o ano se preocuparam mais com leis antifumo do que com bueiros e medidas preventivas contra os desastres naturais - que serão cada vez mais frequentes. E falando em enchentes, gripe suína e apocalipse, lá vão os figurões, senhores da guerra e do capitalismo selvagem discutir em Copenhaguen as soluções pra salvar o Planeta.
E se a solução for alugar o Brasil, que aluguem. Fiquem com a Amazônia, ela não serve para nada mesmo. Aha-uhu, o Pré-Sal é nosso! E o “Hexa” também. 2009 foi o ano para quem estava com saudade de 1992. Aquele tempo sim era bom. Naquele ano tinha inflação, mas também tinha Mengão Campeão! E como se não bastasse, em 2009 levamos a melhor como sede das Olimpíadas e da Copa. Mas com os prós, vêm os contras, e o mau olhado foi tamanho, que uma semana depois da eleição do Rio como sede das Olimpíadas, um helicóptero caiu na cidade maravilhosa. Prato cheio pra torcida do “eu avisei”. Teve até ator norte-americano invejoso que atribuiu a vitória às nossas strippers e ao pó. Ora, que injustiça Robbin Williams! No seu país ambos têm mais qualidade do que os daqui. Mas, por via das dúvidas, melhor seguir a receitinha da vovó contra a inveja e mau olhado: Arruda neles!